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Petista tem 37% contra 33% do senador, mas disputa fica em 41% a 42% no segundo turno; vantagem de Lula cresce entre mulheres

Pesquisa Vox Brasil: Lula tem 37,1% no 1º turno e Flávio Bolsonaro, 34,8%
A nova pesquisa Globo/Quaest mostra uma disputa presidencial cada vez mais apertada. Pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados no limite da margem de erro no 1º turno, com 37% e 33%, respectivamente. Augusto Cury (Avante) oscila novamente para baixo, para 6%, enquanto os demais candidatos somam 9%. Outros 8% estão indecisos e 7% dizem que não votariam em nenhum candidato.

ÍNDICE

A menos que uma parcela expressiva do eleitorado que declara voto em Cury e nos demais nomes alternativos à direita migre para os dois primeiros colocados, cenário que não parece suficiente para eliminar a necessidade de uma segunda rodada, a eleição segue apontando para o 2º turno.

No confronto direto mais provável, Lula e Flávio também permanecem tecnicamente empatados. O candidato do PL mantém 42%, enquanto Lula oscila positivamente para 41%. Considerando a margem de erro, Flávio pode variar entre 40% e 44%, e Lula, entre 39% e 43%.

A principal mudança desta rodada está entre as mulheres. A distância entre Lula e Flávio nesse segmento, que era de 3 pontos percentuais na semana passada, passou para 7 pontos. Entre os homens, o cenário permaneceu estável.

Esse movimento, porém, não se reproduziu entre os beneficiários do Bolsa Família. Pelo menos por enquanto, o anúncio do aumento do benefício não produziu uma alteração relevante na intenção de voto desse grupo. O efeito aparece mais claramente em outro indicador: aumentou, entre esses eleitores, o medo de uma volta da família Bolsonaro ao poder nos últimos 15 dias.

Do lado de Flávio Bolsonaro, o movimento mais expressivo aparece entre os eleitores de renda mais alta. A vantagem do senador sobre Lula nesse segmento passou de 13 para 20 pontos percentuais. Também chama atenção o avanço entre os evangélicos: a vantagem de Flávio passou de 23 para 30 pontos. Entre os católicos, a distância permaneceu estável.

Um indicador ajuda a explicar por que a disputa continua tão equilibrada: o medo da continuidade do governo Lula e o medo da volta da família Bolsonaro ao poder permanecem praticamente empatados, em 43% e 42%, respectivamente. A eleição, portanto, continua sendo disputada também em torno das rejeições e dos receios em relação aos dois campos políticos.

Outro indicador que joga na direção do presidente é a expectativa de vitória de Lula. A maioria dos entrevistados acredita que o presidente será reeleito. Esse tipo de percepção pode produzir um efeito marginal de adesão ao vencedor: quando um candidato é percebido como vencedor, parte do eleitorado pode se aproximar dele ou se sentir mais estimulada a declarar e mobilizar seu apoio. Em uma eleição competitiva, a expectativa de vitória também pode funcionar como uma forma de capital político.

Aprovação do governo

Há, no entanto, sinais distintos para o governo. A aprovação continua sendo um ponto de pressão: 50% desaprovam a gestão Lula, contra 44% que aprovam. Para o presidente chegar à reta final em uma posição eleitoral mais confortável, será importante reduzir essa diferença.

A comparação com o governo anterior ameniza parcialmente esse quadro. Quando perguntados sobre qual governo foi melhor, 42% dizem que o governo Lula é melhor que o de Jair Bolsonaro, enquanto outros 42% avaliam que foi pior. A comparação, portanto, permanece rigorosamente dividida.

A percepção sobre a economia também representa um obstáculo. Apenas 10% dizem ter percebido aumento de renda superior à alta do custo de vida. Para 33%, a renda não aumentou, enquanto 24% afirmam que ela cresceu menos que o custo de vida. A percepção econômica, nesse sentido, ainda não produz um ambiente claramente favorável ao governo.

A pesquisa Globo/Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-06004/2026.

Crise Master/STF começa a mexer com o eleitor

O levantamento mostra que a crise do Banco Master começa a produzir efeitos mais definidos na percepção dos eleitores. A avaliação, que antes aparecia mais dispersa, agora concentra os maiores impactos negativos na família Bolsonaro (21%), no STF (16%) e em Lula (11%).

O efeito, porém, varia conforme a posição política do eleitor. Entre os lulistas, aumentou a parcela que associa a crise principalmente à família Bolsonaro. Entre os bolsonaristas, cresceram as menções a Lula e ao STF. A crise, portanto, começa a ganhar contornos eleitorais mais claros, com cada campo incorporando o episódio à sua própria narrativa.

A crise do Supremo também começa a mobilizar mais eleitores. Embora a maioria diga que o episódio não altera sua escolha, a parcela que afirma que ele reforça o voto no candidato de preferência avançou de 22% para 26%. A alta ocorreu principalmente entre eleitores de esquerda, enquanto os demais segmentos permaneceram mais estáveis.

Entre os independentes, 11% dizem estar pensando em mudar de voto por causa da crise. É um grupo minoritário, mas relevante para uma eleição apertada e que merece acompanhamento nas próximas rodadas.

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